© 2019 por Legião Identitária
  • Black Facebook Icon
  • Black YouTube Icon

Ecologismo visto da Direita

Autoria de WILLIAM MASON

de SOCIAL MATTER

Embora o compromisso com a integridade ecológica seja, há muito tempo, um dos pilares da Direita europeia, nos Estados Unidos ela é tipicamente considerada uma questão da plataforma política progressista, junto com as propostas pré-preparadas de fronteiras abertas, redistribuição econômica e individualismo amoral. A ausência de qualquer amplo consenso de Direita sobre questões ambientais neste país é parcialmente devido ao fato de que nosso principal partido conservador, uma tensa coalizão de protestantes fundamentalistas e oligarcas neoliberais, provou ser incapaz (ou sem vontade) de realmente conservar a maioria dos vestígios de sociedade tradicional.
  

Isso inclui a pureza, inteireza e integridade da terra, que constitui uma parte significativa do patrimônio nacional americano. Articular uma abordagem direitista à ecologia, expondo sua subversão pela esquerda política, continua sendo uma tarefa necessária, devido às suas conotações invariavelmente progressistas no país.


Quaisquer que sejam suas associações atuais, o lar natural da ecologia política está à Direita. Não a falsa Direita associada ao Partido Republicano, é claro, cujo conservadorismo é pouco mais que um apego desesperado e autodestrutivo aos princípios liberais do Iluminismo, mas o que Julius Evola chamou de Verdadeira Direita: a devoção atemporal à ordem, hierarquia, verdade e justiça, implicando hostilidade implacável contra os princípios anárquicos, profanos e desintegradores da modernidade.

 

Assim, meu argumento para o lugar essencial da ecologia em qualquer programa da Restauração Americana, bem como minhas idéias sobre a forma que deve tomar, diferem acentuadamente de outras abordagens “conservadoras” bem conhecidas. Não se baseia simplesmente em nosso dever de conservar sabiamente os recursos naturais para uso humano no futuro, nem em enfatizar o poder restaurador da beleza natural e da recreação, nem o compromisso patriótico de preservar a herança de nossa terra natal. Estes têm o seu lugar, mas estão subordinados ao princípio máximo da ecologia compreendida corretamente: que o mundo natural e suas leis são uma expressão primordial da ordem natural, um reflexo da sabedoria e da beleza divina e, portanto, merecem nosso respeito. Recapturar a visão metafísica e ética do mundo tradicional, e restaurar uma sociedade de acordo com ela, exige, portanto, uma defesa da ordem natural contra aqueles que procuram subvertê-la.

 

Para começar, é necessário distinguir entre as variantes de Direita e de Esquerda da política ecológica, que diferem tanto em seus fundamentos metafísicos e ramificações políticas que constituem duas abordagens totalmente separadas para a preservação ecológica.

 

A ecologia Esquerdista ou progressista é essencialmente uma consequência das preocupações do Iluminismo com a liberdade e o igualitarismo, estendidos ao mundo natural. A ecologia progressista fundamenta-se em dois aspectos. A mais divulgada é a vertente da elite tecnocrática e internacionalista associada aos Verdes Europeus, ao Partido Democrata Americano e a uma infinidade de ONGs, agências internacionais e celebridades em todo o mundo. Quando é sincero (e não meramente uma conquista de poder), essa variante da ecologia progressista coloca suas esperanças em energia limpa, acordos internacionais, desenvolvimento sustentável e ajuda humanitária como os meios necessários para instaurar uma sociedade ecologicamente correta. Sua questão simbólica é o aquecimento global, cuja culpa é atribuída quase exclusivamente ao mundo desenvolvido e que pode ser reduzido através de regulamentações que penalizam essas nações por suas injustiças históricas.

 

A outra vertente é mais declaradamente radical em suas prescrições políticas e pode ser melhor compreendida como o braço ecológico da Nova Esquerda. Encontra o seu exército entre os adeptos dos Earth First! e as Frentes de Libertação da Terra e dos Animais, bem como anarquistas verdes, anarco-primitivistas e ecofeministas; suas táticas são manifestações em massa, desobediência civil e atos menores de sabotagem que às vezes são chamados de “eco-terrorismo”. Ativistas que subscrevem essas visões tendem a rejeitar completamente a civilização e trabalham para combater seus muitos males - hierarquia, racismo, patriarcado, especismo, homofobia, transfobia, classismo, estatismo, fascismo, privilégio branco, capitalismo industrial, etc. - para acabar com a exploração e a opressão de toda a vida na Terra. "Liberação total!" é o seu grito de guerra. Embora baseia-se no primitivismo romântico e no Transcendentalismo, os fundamentos filosóficos da ecologia esquerdista podem ser traçados mais diretamente ao marxismo, à escola de Frankfurt, à contra-cultura dos anos 60, à CRT (Critical Race Theory), ao feminismo e ao Movimento pelos Direitos Civis.

 

Apesar de seu ostensivo compromisso com a preservação natural, ambas as variantes da ecologia esquerdista (por razões discutidas abaixo) acabam por se tornar uma preocupação com a “justiça ambiental” e o humanitarismo simplista e carecem das características de uma cosmovisão integral e genuinamente ecológica. No entanto, apesar da natureza aparentemente monolítica do ambientalismo americano, o entendimento progressista da ecologia não é o único a criar raízes neste país. Para muitos de seus primeiros profetas, como os poetas românticos e transcendentalistas da Nova Inglaterra, bem como os filósofos da natureza do século XIX, a ecologia compreendida corretamente era a expressão contemporânea de uma doutrina primordial que enfatiza a ordem natural e a devoção a forças que transcendem a humanidade.

 

Essa antiga doutrina e sua compreensão do cosmos são expressas, simbólica e teoricamente, nas religiões indo-europeias tradicionais e seus ramos filosóficos. Embora o homem primordial, com seu acesso irrestrito à realidade divina, pudesse ter possuído essa sabedoria em sua totalidade, à medida que o homem caiu de seu estado primitivo, esses antigos ensinamentos recuaram para uma memória distante. Eles são vagamente ecoados nas doutrinas religiosas tradicionais do mundo antigo, como os antigos paganismos europeus, o hinduísmo védico e o budismo antigo. Os traços filosóficos dessa velha sabedoria também podem ser discernidos na metafísica organicista e emanacionista dos pré-socráticos, pitagóricos, neoplatônicos e estoicos. Embora certas linhagens do cristianismo tenham enfatizado uma concepção estritamente dualista e antinatural do cosmos, essa não é a única visão nem mesmo a predominante; os teólogos e místicos cristãos mais esotéricos também consideraram o mundo natural como um desdobramento da realidade divina, expresso na teologia franciscana e misticismo da Renânia, bem como no hermetismo cristão da Renascença.

 

Finalmente, para combater o desenvolvimento do liberalismo iluminista, do socialismo, do materialismo científico e do industrialismo na era moderna, Romantismo e Idealismo Alemão ofereceram uma nova iteração artística e filosófica da antiga cosmovisão holística, que mais tarde alcançou sua expressão mais radical na anti-antropocentrismo de Nietzsche e Heidegger. É claro que seria um exagero afirmar que todos esses pensadores eram proto-ecologistas ou, até mesmo, remotamente preocupados com a preservação da natureza selvagem. O ponto é, antes, entender como todos eles oferecem, em línguas e conceitos adaptados a diferentes culturas e épocas, um modo particular de abordar uma verdade primordial: que o cosmo é um todo orgânico, interconectado, uma ordem natural que exige nossa submissão.

 

A orientação metafísica fundamental do mundo tradicional e, portanto, da Verdadeira Direita, é a do emanacionismo panenteísta holístico. Em outras palavras, existe uma realidade absoluta, um terreno silencioso que contém e transcende tudo o que é, conhecido como Deus, Brahman, o Absoluto, o Tao ou o Ser. Tudo o que existe é um desdobramento ou emanação dessa unidade primordial, das mais altas divindades aos elementos materiais nas entranhas da terra. Embora exista uma hierarquia do ser, todos têm dignidade na medida em que participam desse desdobramento divino. Tudo no cosmos é uma emanação dessa realidade transcendente, incluindo tudo o que existe na Terra: os animais, as plantas, as montanhas, rios e mares, padrões climáticos; os processos biológicos, químicos e ecossistêmicos que lhes dão ordem e ser .

 

Isso inclui a raça humana, que ocupa uma posição única na hierarquia cósmica. Na unidade primordial, a vestimenta sem costura que ligava todas as outras criaturas e planetas conhecidos em sua lealdade ininterrupta à lei natural, surgiu a autoconsciência humana. Embora partilhando da forma material das bestas e ordens "inferiores" da criação, a humanidade também possui Razão e Vontade Própria, introduzindo multiplicidade na unidade divina. Nós nos encontramos entre a terra e o céu, por assim dizer. Por um lado, isso nos torna capazes de transcender as limitações do material e obter insights em níveis mais elevados do ser, funcionando, assim, como um aspecto da “natureza refletida em si mesmo”.

 

Da mesma forma, única entre outras emanações da Divindade, somos capazes de agir por vontade própria, violando a lei natural e estabelecendo nós mesmos e nossa própria inteligência como rivais do Absoluto. Além disso, dada a nossa vontade própria, desejos artificiais e meios eficientes não-naturais de obtê-los, os seres humanos não podem apenas, em boa consciência, buscar fins puramente naturais de propagação, hedonismo e sobrevivência a qualquer custo. Para realmente alcançar sua natureza, reintegrando-se àquela unidade primordial da qual ele está presentemente alienado, o homem deve transcender o meramente humano e alinhar sua vontade com a do Absoluto. Certos humanos são capazes de se aproximar desse estado: esses são os aristocratas naturais, os arhats, os santos, os Übermenschen.

 

É claro que, dada nossa natureza defeituosa e caída, a maioria dos humanos permanecerá apegada à sua vontade própria e interesses materiais. Assim, enquanto a religião do igualitarismo propõe um antropocentrismo básico pelo qual todos os seres humanos são iguais simplesmente em virtude de serem humanos, na metafísica tradicional isso é negado pelo fato da desigualdade humana. Como forma ilustrativa, um belo leão pode ser de maior valor do que um humano degenerado, dada a maior conformidade do leão com a ordem natural e Eidos divino. Por essa razão, tanto a metafísica tradicional quanto a ecologia visto da Direita exigem que rejeitemos o humanitarismo sentimental da Esquerda moderna, em que toda e qualquer vida humana (ou, na verdade, a vida não-humana, no caso dos direitos dos animais) tem valor igual. Uma implicação adicional dessa visão é que, sendo os seres humanos desiguais em sua capacidade de se aproximar do divino e exercer o poder justamente, os arranjos sociais devem assegurar o governo pelo tipo superior.

 

Esta é a essência da estrutura social indo-européia tripartida, o sistema de castas de sacerdote; guerreiro e comerciante/artesão que formou a base das sociedades tradicionais. A regressão das castas características do mundo moderno, o colapso de todas as estruturas sociais tradicionais e a consagração do governo democrático, não significa verdadeiramente que somos autogovernados. Significa meramente que, em vez de sermos governados por valores sacerdotais (espirituais) ou reais (nobres), somos governados, na melhor das hipóteses, por valores burgueses (econômicos) ou, no pior, plebeus (anárquicos). Os valores da burguesia e do plebeu são invariavelmente orientados para o conforto, o prazer e a aquisição material, em vez de transcendência ou honra. A organização tripartida é, portanto, necessária para colocar um fim nos impulsos mais destrutivos da humanidade, para si mesmo e para o mundo natural.

 

A consequência dessa perspectiva é um receio das bases filosóficas da modernidade tardia, com seu reducionismo desenfreado, atomismo e visão puramente instrumental do homem. Outras implicações sócio-políticas seguem. A ecologia compreendida corretamente implica uma rejeição da economia marxista-comunista e neoliberal, a primeira por seu nivelamento igualitário e por sua redução do homem a um ser puramente econômico. Além de sua toxicidade para o espírito humano, essa tirania da economia leva os humanos a encarar o mundo não como uma emanação do Absoluto, mas como uma mera reserva permanente, uma coleção de recursos para a satisfação dos desejos humanos. Enquanto defende a tecnologia que realmente melhora a vida humana e diminui o impacto humano em outras espécies, o ecologista de Direita rejeita a tecnologia que leva à fealdade, à destruição irresponsável e à criação do homem-gado fraco e de mente pequena.

Embora compreendendo a importância das cidades como centros de cultura e comércio, o ecologista de Direita prefere a cidade montanhosa italiana, em sintonia com os contornos da terra, com uma catedral no ponto mais alto, sobre a desumana metrópole modernista ou subúrbio manufaturado. Essa ecologia também implica uma oposição ao crescimento excessivo da população humana, que ameaça a solidão espiritual, a beleza do deserto e o espaço necessário para que a especiação continue. Qualidade e quantidade são mutuamente exclusivas. Além disso, ao contrário do insulto “totalitário” frequentemente empregado contra ela, a Verdadeira Direita acredita que a diferença e a variedade são um presente de Deus. Em vez de encarar isso como um imperativo categórico de reunir o máximo de diversidade possível em um único lugar, a Direita busca preservar distinções culturais, étnicas e raciais. Deve, portanto, também se esforçar para preservar os ecossistemas e espécies distintas do mundo, bem como a diversidade humana de etnia e cultura, na medida em que a vontade de Deus permitir. Enquanto o mundo da humanidade afunda em maior corrupção, o mundo natural permanece como um reflexo de valores eternos e superiores, um todo unificado que se desdobra de acordo com a ordem natural.

 

Uma possível controvérsia gera discussão. Todas as crenças indo-europeias, e na verdade a maioria das doutrinas tradicionais do mundo, postulam um inevitável fim para este mundo. Seja a Era do Ferro, a Segunda Vinda, a Era do Lobo ou a Kali Yuga, a maioria ensina que esse ciclo cósmico deve chegar ao fim para abrir caminho para um novo ciclo. Isso geralmente implica a destruição da Terra e tudo sobre ela. Como isso pode ser conciliado com uma ecologia da Direita, que postula o dever de preservar os vestígios da natureza pura que refletem mais a ordem divina? O que, de fato, é o ponto, se tudo está destinado a ser destruído de qualquer maneira? Em primeiro lugar, esse cenário apocalíptico é também um dogma da ciência moderna, inevitavelmente implícito em suas teorias da evolução cósmica. A vida na Terra será destruída, se não por alguma insanidade antropogênica, pela expansão do sol ou pela morte pelo calor do universo. A diferença é que o ecologista progressista não tem uma razão objetiva e permanente para preservar o imaculado e o autêntico na natureza além do gosto pessoal; não escapam, de fato, das garras da completa subjetividade e do niilismo. É por isso que a ecologia progressista tipicamente se torna uma preocupação com a justiça social, quando não é apenas uma preferência pessoal por belas paisagens ou oportunidades recreativas ao ar livre.

 

Para o ecologista de Direita, contudo, o fim de todas as coisas humanas não é argumento contra viver com honra e lutar desapaixonadamente contra as forças da desintegração e do caos. O Homem Contra o Tempo pode ser, a longo prazo, destinado a fracassar em seus empreendimentos terrenos, mas isso não diminui sua determinação. Isso ocorre porque ele age com um senso de destacamento nobre - o Karmayoga do Bhagavad Gita, o wu-wei de Lao-tzu ou o Abgeschiedenheit de Meister Eckhart - pelo qual a ação flui da pureza de seu ser e de seu papel no cosmos e não de cálculo utilitário ou esforço deliberado. Defender a ordem natural exige que defendamos suas mais puras expressões: não apenas o santo, inocente e nobre entre a humanidade, mas também as árvores, lobos e rochas que estavam à nossa frente, que permanecem em harmonia inconsciente com a ordem cósmica, como o homem pode apenas aspira a.

 

Em seu compromisso de viver em conformidade com a ordem natural e defendê-la contra a arrogância mesquinha do homem moderno, o ecologista de Direita entende o papel da violência destacada. A maior parte da retórica ambientalista que se ouve hoje em dia é expressa na verborragia do esquerdismo contemporâneo - direitos, igualdade, anti-opressão, “ética do cuidado” e assim por diante. Além de sua tendência metafísica mais forte, a ecologia da Direita também oferece uma ecologia mais viril, um credo de ferro que desdenha a tecnologização e a superpopulação do mundo, em parte porque leva à diminuição de toda a vida; que sustenta as leis de ferro da natureza, do sangue e do sacrifício, da ordem e da hierarquia; que despreza a arrogância humana por causa de sua mesquinhez. É uma ecologia que ama o lobo, o urso, o guerreiro, bem como a tempestade e o incêndio florestal, pelo papel que desempenham na manutenção da ordem natural; que deseja manter grandes extensões da Terra selvagens e livres, que não suportam vê-la racionalizada, mecanizada e domesticada. É a ecologia que desdenha a suavidade, a facilidade, o sentimentalismo e a fraqueza.

 

O ecologista da Direita sabe que “a vida de acordo com a natureza” não é um idílio rousseauniano ou um imperativo neo-moderno de “ficar de papo para o ar”, mas exige estoicismo, dureza e conformidade com mil leis severas na busca de força e beleza. Esta é uma religiosidade viril, uma ascese da ação em vez de mera salvação pessoal ou extinção.

 

Visto sob essa luz, a ecologia compreendida corretamente é um aspecto necessária na restauração da sociedade tradicional. Por “tradicional” queremos dizer não o mercado livre, valores familiares, fanatismo fundamentalista que o termo implica na América do século 21, mas sim uma perspectiva que é baseada na ordem divina e natural, que dita que todas as coisas residem em seu lugar adequado. Com relação ao homem e à natureza, isso significa que a humanidade deve reconhecer seu lugar na ordem cósmica e seu papel como guardião e autoconsciente do todo, ao invés de seu tirano supremo. Exige a sabedoria e a introspecção necessárias para compreender nosso papel no plano divino e realizar nossas tarefas adequadamente. Ela exige autenticidade, um reconhecimento do solo cultural e histórico do qual emergimos, preservando as tradições e a memória de nossos antepassados ​​e defendendo as virtudes do mundo tradicional: honra, nobreza, autenticidade, bravura e reverência pelo sagrado. Essa reverência para com a ordem cósmica exige que respeitemos sua manifestação nas rochas, nas árvores e no céu, cuja beleza e poder servem continuamente para nos lembrar da sabedoria transcendente do todo.

 

Please reload

Arquivo
Please reload

Temas
Autores
Please reload