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Sula Pertence ao Nosso Panteão de Heróis

Autoria de DAVID GRANT de SOCIAL MATTER.

Em 88 a.C., Lúcio Cornélio Sula reuniu seu exército e marchou sobre Roma. Se você já ouviu essa história antes, você provavelmente pensa que foi assim: Sula era um general bem-sucedido cujas ambições foram suspeitas ao Senado. Preocupado com a crescente popularidade de Sula, o Senado ordenou que ele desistisse de seu cargo e voltasse à Roma. Ao invés disso, Sula marchou sobre Roma, instalou-se como ditador e massacrou seus oponentes políticos.

 

Se essa foi a história que você ouviu, odeio ter que dizer isto, mas você foi enganado. Essa narrativa sobre a primeira marcha de Sula sobre Roma só tem uma coisa certa: Sula realmente marchou sobre Roma em 88 a.C. Tirando isso, essa narrativa é uma estranha mistura de ocultação, generalização e fraude total. Na Antiguidade, Sula foi fortemente odiado por uma variedade de atos, mas também extremamente respeitado por estabilizar o Estado romano, e ter defendido a nação de agressão estrangeira. Essa narrativa moderna é fruto de uma ultra-simplificação e resumo da história.

 

Uma marcante característica da Antiguidade era quão pouco as políticas de um homem afetavam se ele era admirável ou não. Haviam limites, é claro – pessoas que tentavam se tornar tiranos eram normalmente inadmissíveis, por exemplo –, mas Plutarco poderia incluir entre os nobres gregos e romanos, pares de adversários políticos como Címon e Péricles, César e Cato.

 

Três fatores foram combinados para construir esse contexto. O primeiro era a solidariedade da elite: Se os aristocratas prejudicassem uns aos outros, eles correriam o risco de prejudicar a aristocracia como um todo. O segundo era o respeito pelo passado. Ao passo que o tempo passou e os sentimentos se acalmaram, foi fácil respeitar os feitos de genuínos homens ilustres e suas contribuições para suas sociedades. Embora os últimos anos de Mário tivessem sido de má-reputação, ele também salvou Roma de uma horda de invasores germânicos. O terceiro fator foi que grandes homens foram considerados figuras heroicas por suas famílias e protegidos, então mesmo que um período político manchasse a imagem de um homem, seus descendentes a reconstruiriam cem anos depois quando eles voltassem.

 

Atualmente, fazer uma lista de personagens históricos admiráveis é algo mais ideológico que familiar. Cícero, por exemplo, sempre foi amado pela esquerda, mas de uma perspectiva neoreacionária, ele não fez o bastante: Embora eminentemente digno, Cícero recusou assumir o poder e comandar. Sula, em contraste, é hoje muito criticado, mas merece nosso respeito e admiração.

 

O ano de 88 a.C. marcou o clímax da rixa entre os optimates e os populares, as facções oligárquicas e democráticas de Roma. Antes de 120 a.C., a aristocracia Romana foi capaz de mobilizar tropas rapidamente para esmagar a oposição, mas Caio Semprônio Graco organizou suas próprias tropas para combater os patrícios. Embora as forças de Graco tivessem sido eventualmente derrotadas, seus sucessos inspiraram imitadores, e em 88 a.C Públio Sulpício Rufo montou uma força de 3.000 espadachins para apoiá-lo.

 

Sulpício também teve simpatia de Caio Mário. Mesmo que fosse um magnífico soldado, Mário tinha extremo desdém pelo Senado e pelos patrícios em geral. Então, quando ele foi finalmente forçado a deixar o cargo, Mário encontrou-se mais ignorado do que respeitado pelos seus colegas senadores. Entendiado e cansado, Mário discretamente originou problemas para o Senado e visava ganhar um importante comando militar através de sua aliança com Sulpício.

 

Com sorte, tal comando estava presentemente disponível. Enquanto Roma estava distraída com a Guerra Social, o rei Mitrídates do Ponto invadiu as possessões romanas na Ásia Menor e incitou várias cidades gregas a se revoltarem também. Quando a Guerra Social terminou, o Senado voltou sua atenção para Mitrídates e, para a infelicidade de Mário, apontou para o comando do exército Lúcio Cornélio Sula.

 

Sula ascendeu da pobreza inicial para a riqueza, status e poder em Roma, combinando uma personalidade amigável com um mérito extraordinário. Ele teve uma memorável habilidade de transformar inimigos em amigos, e provou repetidamente um exímio administrador e diplomata. Mais significantemente, ele era um esplêndido soldado, facilmente o mais distinto general romano de seu tempo, atrás apenas de Mário. No entanto, Mário e Sula eram rivais nas esferas pessoal, política e familiar. Sula roubou a glória de Mário durante a Guerra de Jugurta; favoreceu os optimates ao passo que Mário apoiou os populares; e casou-se com uma Metelli, uma família que Mário apunhalou no passado em sua subida ao poder.

 

Um dos pilares na plataforma dos populares fazia aumentar a representação dos aliados italianos na Assembleia Romana. Quando Sulpício apresentou uma proposta na Assembleia para defender isso, os optimates opuseram-se e um feroz tumulto começou. Sula estava em Nola exterminando a resistência da Guerra Social e retornou à Roma rapidamente. Ele e seu colega consular Quinto Pompeu Rufo anunciaram feriado público até que o tumulto terminasse.

 

No dia seguinte, Sula e Pompeu estavam ouvindo casos legais no Fórum quando Sulpício os atacou com seus homens. Pompeu escapou, mas seu filho foi morto, enquanto Sula fugiu para a casa de Mário. O que Mário e Sula discutiram é desconhecido, mas Sula emergiu para enfrentar os homens de Sulpício e cancelar o feriado. Sulpício então forçou sua proposta na Assembleia, e Sula retornou para seu exército.

 

Encorajado pelo sucesso, Sulpício tirou Sula do comando da Assembleia e o concedeu a Mário. Ele também começou uma campanha de terror, assassinando seus oponentes do Senado. Pompeu e alguns outros escaparam e fugiram para Nola. Lá, Sula dirigiu-se aos seus homens, apontando o que de errado Sulpício e Mário infligiram a ele. Os soldados, então, gritaram ao seu comandante, pedindo que ele os liderasse para Roma.

 

Quando o exército chegou em Roma, a maioria dos apoiadores de Sulpício o abandonou. Depois de uma curta luta, as tropas de Sula tomaram o controle da cidade. Mário tentou se reunir com escravos para resistirem, mas ninguém atendeu ao seu chamado. Sula declarou Mário, Sulpício e outros dez líderes inimigos públicos e que as leis de Sulpício eram inválidas, reformando a constituição para fortalecer a posição do Senado, e monitorou as eleições do ano. Apesar do controle militar de Sula sobre a cidade, muito de seus oponentes conseguiram altos cargos, mais notavelmente Lúcio Cornélio Cina sendo eleito cônsul. A intenção de Sula era simplesmente restaurar a paz, e não governar Roma para benefício próprio.

 

Por toda sua história inteira, Roma conseguiu evitar o desenvolvimento de desordens internas e ameaças externas, mas Mitrídates não iria desaparecer enquanto os romanos resolviam suas diferenças. Então Sula rapidamente desembarcou em Ilírico e marchou para a Grécia. Lá ele cercou e capturou Atenas e realizou vitórias sobre o tenente de Mitríades, Arquelau, em Queroneia e Orcômeno. Sula até capturou Arquelau e, persuadindo-o a se tornar um aliado, o usou como um meio de negociações com Mitrídates.

 

Enquanto Sula estava ausente defendendo Roma, negócios em Roma iam de mal a pior. Cina tentou retomar a proposta de Sulpício para os aliados italianos, mais uma vez iniciando tumultos, nos quais Cina e seu partido se deram mal. Erguendo seu próprio exército e juntando-se a Mário, que havia feito o mesmo, Cina marchou sobre Roma e massacrou seus inimigos. A família e amigos de Sula fugiram para a Grécia, mas por enquanto, Mitrídates chamava toda a atenção de Sula.

 

O controle de Cina sobre Roma significava que Sula teria que derrotar Mitrídates sem suporte financeiro ou reforços de Roma. Ao mesmo tempo, Cina clamou-se o governante legítimo de Roma, então ele era obrigado a algo em relação a Mitrídates. Lúcio Valério Flaco, aliado de Cina, levou um exército para o Leste em 85 a.C., mas Flaco era impopular entre seus homens, muitos dos quais desertaram e aliaram-se a Sula. Os que permaneceram apoiaram Caio Flávio Fímbria, que rapidamente assassinou seu comandante. Fímbria relutantemente cooperou com Sula, mas quando sua utilidade acabou, Sula tomou suas tropas, e ele cometeu suicídio.

 

Sula ensinou Mitrídates uma violenta lição nos perigos de antagonizar Roma no campo de batalha, mas concluiu com uma suave paz com ele. Aliados de Roma que se revoltaram não receberam um tratamento tão piedoso: eles foram forçados a pagar pelos custos da guerra, reparos e suas guarnições. As cidades que mantiveram-se leais à Roma, porém, receberam ricas recompensas. Por exemplo, Sula foi forçado a saquear vários templos por toda a Grécia para pagar por suas campanhas, mas quando a guerra foi concluída, ele não somente restaurou os tesouros sagrados, como também fez adições substanciais a eles.

 

Em 84 a.C, Cina finalmente pereceu depois de três anos como tirano no poder. Como Mário já estava morto, Cina por si só liderou um exército até Ilírico, mas seus soldados ficaram insatisfeitos com sua liderança e o apedrejaram até a morte. O assassinato de Cina levou a liderança dos populares à desordem logo quando Sula se preparava para retornar à Roma.

 

Quando Sula desembarcou na Itália em 83 a.C., aliados surgiram por todas as partes. Quinto Cecílio Metelo, governador da África, se revoltou contra os populares. Marco Licínio Crasso e Cneu Pompeu Estrabão também levantaram tropas em apoio a Sula. Em uma rápida campanha, Sula retomou o controle da Itália e derrotou os populares na Batalha de Porta Colina.

 

Depois de vencer os populares, Sula foi proclamado ditador para reformar a constituição romana e começou a proscrever inimigos. Em ambas as ações, ele tinha como meta cortar a raiz dos problemas políticos de Roma, que era a superpopulação da elite. Em suma, tinham muitos aristocratas sedentos por glória e não muitas maneiras convencionais de satisfazê-los; portanto, muitos viram em políticas radicais um caminho alternativo para o poder e riqueza. Assegurada a estabilidade política de Roma, precisou-se expandir as vias convencionais para o poder e sufocar vias radicais.

 

As proscrições de Sula visavam o partido popular inteiro, tirando de seus membros suas vidas, propriedades e futuro político. Os populares deixaram de existir como uma organização. Os que sobreviveram se reuniam ao redor de Caio Júlio César, mas demorou vinte anos para que ele se tornasse um político significante.

 

No âmbito constitucional, Sula expandiu o número de cargos e dobrou o tamanho do Senado. Ele também afirmou os poderes decisivos do Senado e reformou a Assembleia para deixá-la menos suscetível à manipulação demagógica. Os tribunos da plebe foram retirados da maioria de seus poderes e descartados de altos cargos; o tribunato não seria mais um caminho para o poder. Sula também fez uma variedade de reformas legais e sistematizou a administração romana. Após manter o poder absoluto por dois anos, Sula fez algo marcante: demitiu-se. Roma ainda não estava pronta para uma monarquia, então manteve-se no consulado por um ano e depois se mudou para sua fazenda. De lá, ele não governou, mas fiscalizou uma nova constituição – quando um homem tentou concorrer ao consulado sendo legalmente inelegível, Sula o impediu no Fórum. Infelizmente, Sula morreu por um problema no fígado em 79 a.C., deixando o Estado Romano nas mãos de homens inferiores.

 

Agora nós conseguimos ver o quão distorcida a narrativa moderna realmente é. Sula era um apoiador do Senado, não um inimigo; ele marchou sobre Roma para salvar o Estado, não para derrubá-lo; ele então marchou  ao exterior para enfrentar uma grave ameaça à segurança nacional, enquanto seus inimigos fomentavam a revolta; quando Sula finalmente retornou à Roma, ele restaurou e fortaleceu a constituição que os populares derrubaram; e finalmente, tendo feito tudo isso, Sula devolveu o poder ao Senado.

 

Durante a década de 80 a.C., Sula posicionou-se como o adulto responsável da política romana. Quando tumultos ameaçaram a segurança do Estado Romano, ele interviu decisivamente para finalizá-los; quando Mitrídates ameaçou as possessões orientais romanas, ele colocou a política doméstica de lado até que a ameaça fosse eliminada; e quando ele assumiu o poder absoluto, ele fixou a constituição para que a violência dos anos anteriores não fosse repetida. Sozinho entre seus contemporâneos, Sula apreciou os perigos que conflitos internos representavam e estava tão disposto quanto capaz de pará-los.

 

Onde Cícero tivesse titubeado, Sula agiu. Em meio a um golpe de Estado, não é hora de ser excessivamente escrupuloso sobre a legalidade de algumas ações. Apesar de Cícero contar uma história sobre “A Harmonia das Ordens”, Sula foi quem pôs suas ideias em prática e deu à Roma uma constituição relativamente estável que sobreviveu a ele durante quase trinta anos. Sula tornou-se digno, assumiu o poder e governou.

 

Hoje, Sula é digno de ser admirado, por mais que seu exemplo pessoal não seja um que nós estamos dispostos a repetir. A chave de seu sucesso, porém, era tomar vantagem sobre os feitos de seus oponentes. Mário reformou o exército para enfrentar os germânicos e isso enfraqueceu a lealdade do exército ao Estado Romano. Sula meramente pisou no rombo que Mário havia criado. Sendo assim, os sucessos da esquerda podem ser oportunidades futuras. 

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