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Dominique Venner: Para uma Nova Aristocracia

Seus nomes continuam a identificar as avenidas de uma capital única, embora desfigurada: Berthier, Murat, Jourdan, Masséna, Soult, Brune, Bessières e outros. 

 

Através de seu decreto de 19 de maio de 1804, Napoleão criou os primeiros catorze marechais do império, aos quais ele acrescentaria mais dez. Sim, seus nomes ainda permanecem no perímetro de uma Paris que dificilmente aprecia sua glória.

 

Bonaparte não estava ocioso. A decisão de restaurar o posto de marechal veio vinte e quatro horas depois da reunião do senatus que lhe deu o título de Imperador dos franceses.

 

Os títulos nobres do Ancien Régime foram abolidos em 1790. Desde a sua ascensão ao trono, Napoleão queria instituir uma nobreza imperial, o que ele fez em diversos passos, até o decreto de 1º de março de 1808, estabelecendo uma hierarquia de títulos hereditários. Como distinção social, a nobreza foi assim concedida pelo Estado para recompensar seus apoiantes. Claro, um título nunca garante a nobreza do caráter ou da alma.

 

Napoleão, obviamente, tentou resgatar a tradição monárquica, mas também uma tradição muito mais antiga. Em alguns anos deslumbrantes, imitando a Roma Antiga, a França passou de uma República a um Império. No entanto, ela diferia de seu modelo pela ausência da base de um senado aristocrático de patrícios. Teria o Imperador desejado corrigir essa deficiência? O destino não ratificou sua decisão.

 

Ele não era o sucessor dos imperadores romanos, mas ele era o primeiro dos Césares modernos. Seu poder foi construído sobre os destroços da monarquia, mas ainda mais sobre a antiga nobreza que, durante pelo menos dois séculos, perdeu lentamente seu propósito, sendo despojada de suas funções sociais e políticas pela voracidade da monarquia administrativa. Esta monarquia não suportava uma nobreza livre e vigorosa. Queria funcionários públicos dependentes e submissos. Ela morreu por causa disso, ao contrário da Inglaterra e de outras grandes monarquias europeias que sempre se sustentaram em nobrezas ativas até as vésperas de 1914.

 

Então, no vácuo criado pela catástrofe da Grande Guerra, os Césares se multiplicaram. Mas, apesar de várias tentativas, nenhuma nova nobreza pode ser constituída. Não se forma uma nobreza com funcionários públicos, mesmo uniformizados. Spengler definiu a antiga nobreza prussiana por duas qualidades morais que parecem pouco compatíveis: "liberdade e serviço". É difícil dizer mais em menos palavras.

 

Eu abordei esse assunto em outro artigo, "Aristocracias Secretas". Vários leitores perguntaram: "Por que "secretas"?"

 

Era uma projeção. E o que as projeções sugerem muitas vezes tem mais escopo do que qualquer argumento. Talvez tenha sido mais exato falar de uma aristocracia "implícita", mas teria tido menos força. Inicialmente, eu queria evitar qualquer confusão com os devaneios de falsas cavalarias usados pelos mistificadores e seus crédulos. Eu queria também deixar de lado os sonhos daqueles que estão fascinados por romantismos políticos. Finalmente, eu queria sugerir que hoje existe uma elite invisível e auto-intitulada, para além de todas as distinções de classe. São homens e mulheres que, através da busca da excelência pessoal, mantêm silenciosamente espíritos superiores. É possível encontrá-los em muitos contextos. Nenhum vínculo os associa e nenhum sinal aparente os distingue aos olhos das pessoas comuns.

 

Os japoneses dizem que é precisamente por sinais invisíveis que primeiramente se reconhece um "Mestre", ou seja, aquele que alcançou uma certa perfeição em sua existência ou em uma "arte" que não é necessariamente marcial. Encontrar uma aristocracia "secreta" foi um dos objetivos do brilhante criador do escotismo. [2] Ele tinha a experiência da antiga aristocracia britânica, ainda que tenha sido decrépita, e também a experiência de um exército ainda penetrado por um espírito de nobreza remetente à Ilíada. Seu objetivo permanece viável, com a ressalva de purgar-lo profundamente de todos “bom-mocismo.”

 

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