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A Causa Perdida: Individualismo Conservador em uma Sociedade Multi-tribal

September 25, 2017

por ARTHUR SARSFIELD de SOCIAL MATTER

 

O movimento conservador americano, como guardião de uma revolução liberal, afirma que o indivíduo deve ser soberano e o governo o mais limitado possível (exceto quando os conservadores inventam uma razão para expandi-lo). Ao mesmo tempo, adota a maioria dos paradigmas da esquerda americana - como o pluralismo, o multiculturalismo, o igualitarismo - porque se opor a eles seria opor-se à própria sociedade americana contemporânea.

 

Fazê-lo, além de politicamente incorreto, não é considerado conservador.

 

Um conservador não quer desfazer a ordem existente.

 

Mas, ao mesmo tempo, a ordem existente quer desfazer o conservador americano.

 

O massacrante apego ao individualismo é uma penalidade aceita de bom grado por ele, e endossada por inimigos felizes em deixá-lo isolar-se, para que assim possam triunfar. Defender a ferro e fogo o indivíduo na política americana não é uma prática particularmente divergente de outras tradições — pelo menos a nível retórico; é, de fato, uma tradição comum a todo o espectro político. Por exemplo, a esquerda usa linguagem semelhante sobre indivíduos e seus direitos para argumentar a favor do casamento homossexual e da anistia para imigrantes. Nota-se que a comunidade LGBT e os imigrantes foram ambos transformados pela esquerda em blocos eleitorais baseados em identidade. O desinteresse por lealdades (e obrigações) interpessoais é o que torna o tipo conservador de individualismo tão frágil perante a esquerda, que fomenta afiliações tribais para pôr em prática sua plataforma (e, claro, ampliar o governo no processo).

 

Se realmente acredita-se em um conservadorismo individualista, por que então apoiar o pluralismo, o multiculturalismo e o igualitarismo da esquerda, que demandam tanto intervencionismo administrativo? Como jogar o jogo individualista ou libertário contra adversários explicitamente tribais - ao mesmo tempo em que se aceita a validade de suas ideias e a das burocracias governamentais necessárias para sustentá-los?

 

O pluralismo celebra a existência de múltiplos grupos identitários dentro de uma sociedade como ideal. O multiculturalismo promove esses grupos não apenas como uma configuração ideal, mas como um instrumento para governar: o poder é obtido por meio de um sistema de expropriação étnica e da mobilização de tribos para a desintegração de uma maioria política, étnica, cultural ou religiosamente homogênea, em benefício de uma ou várias minorias. O igualitarismo rotula  grupos como "desiguais" em contraposição àquele grupo majoritário e tenta artificialmente mobilizar aqueles contra este.

 

Em nenhum desses casos você escolheu o grupo em que foi incluído. Ninguém se dirigiu a você e lhe perguntou se preferia declarar sua identidade como individual ou tribal; eles simplesmente o classificaram como membro de uma tribo. Uma vez que os conservadores nos Estados Unidos são, na sua maioria, heterossexuais, brancos e nativos, eles são parte da tribo que a esquerda tem como inimigo político. Os conservadores individualistas tentam evitar esse conflito ao declarar que não acreditam em raça ou que todas as pessoas são iguais ou uma miríade de outras construções mitológicas. Mas a esquerda não acredita em nada disto. Pelo contrário, a esquerda quer implementar a "igualdade", enquanto o conservador afirma ela já está presente.

 

Resposta errada.

 

O pluralismo americano, o multiculturalismo, o igualitarismo e outros paradigmas semelhantes seriam melhor classificados como multi-tribalismo. Não se pode simplesmente escolher uma dessas condições. Todas elas estão presentes no Império Americano, que atualmente é um estado multi-étnico em expansão, onde as afiliações políticas convergem principalmente para o nível da tribo - um estado de coisas fomentado pela superestrutura demo-burocrática. Os conservadores, ao dizerem que apoiam a diversidade e as ações afirmativas (ou quando não se opõem a elas), e, ao mesmo tempo, que pensam que o indivíduo é soberano, estão sendo logicamente incoerentes. Estão cedendo às demandas tribais, demandas que, em teoria, seriam inválidas se o indivíduo fosse soberano.

 

Se você admite que a tribo governa na América, você não governa. O indivíduo acabou. Ou pare de apoiar a sociedade multi-tribal da esquerda, ou deixe de lado o apego ao individualismo. Você não pode aceitar o paradigma multi-tribal de grupos de interesse concorrentes com base em critérios culturais, étnicos, religiosos ou sexuais, enquanto reivindica ser a favor do indivíduo como soberano. Você deve rejeitá-los; o poder de rejeitar é necessário para ser soberano. Mas a maioria dos conservadores não perderá a oportunidade de demonstrar o quão progressistas são, rezão pela qual conservadores foram constantemente empurrados para a esquerda e agora perdem alguns dos seus apoiantes mais à direita para nacionalistas e proto-fascistas.

 

O individualismo só poderia ser considerado conservador por conservadores de uma revolução liberal. Se, por um lado, a esquerda na sociedade ocidental tem sido incentivada pelos sistemas democráticos a se aproveitar de grupos de identidade minoritária para combater a maioria, por outro, a esquerda mantém de modo geral o objetivo final de abolir todas as classes e castas. A longo prazo, as políticas da esquerda poderiam, em última instância, concretizar uma sociedade individualista, na qual todos os laços locais, familiares e tribais fossem destruídos, e não houvesse mais diferenças sociais significativas entre grupos de americanos - assumindo-se, é  claro, que suas políticas funcionassem, ou que seu objetivo fosse criar essa sociedade.

 

Na verdade, trata-se de liquidar espoliadora e lentamente os culaques (kulak - camponeses ricos ou classe inimiga - termo pejorativo utilizado pelos soviéticos) que votam nos republicanos e não cantam a kumbaya [canção gospel negra americana].

 

Verdadeiros direitistas não desejariam dissolver todas as comunidades e identidades em nome da libertação do indivíduo. O que se está buscado nas Conferências de Ação Política Conservadora (CPACs) e nos Congressos Nacionais Republicanos (NRCs) é a conclusão da Revolução Francesa, modificada para atender aos critérios do pós-guerra de que todas as minorias devem ser protegidas. No entanto, as minorias não são protegidas pelo individualismo, mas por seu tribalismo. O que nos traz de volta ao problema original, a saber, que os conservadores americanos estão falando sobre o indivíduo como soberano, sem ter uma palavra a dizer sobre a realidade política de que, se há algo soberano no sistema americano, são tribos.

 

E os republicanos continuam se recusando a reconhecer que têm uma tribo.

 

As minorias provavelmente não vão desistir de sua tribo, por uma variedade de razões históricas e econômicas. Então, por que abdicar voluntariamente da sua? Tribos são poderosas e fazem a diferença.

 

Ah, mais uma coisa; soberanos não pagam impostos a um governo. Já basta dessa bobagem de um indivíduo ser soberano. Talvez você esteja pensando n'O Soberano (que não é você).

 

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