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Quem fará nossos cafés?

Escrito por Derek Hopper em Quillette

 

Quando uma pessoa da plateia do programa da BBC Question Time perguntou “Quem vai fazer nossos cafés?” (http://bit.ly/2r08gFs) ela sinceramente acreditava estar dando um argumento em favor de fronteiras abertas e do globalismo.

 

A sua pergunta é válida. Quem faria os cafés? Em Londres, no verão passado, eu comi em alguns Pret A Mangers (para os não familiarizados, Pret é uma popular rede inglesa de cafés e sanduíches) e após ver a pergunta no vídeo da Question Time eu notei a falta de sotaques londrinos nestas lojas. Não apenas na Prets; a ausência de londrinos brancos era a norma em todos os coffee shops e redes de fast-food que eu ia. Não contente em haver causado uma onda de desaprovação em murmurinho na plateia, a mulher reiterou: “você não vai encontrar ingleses dispostos a fazer este trabalho”. Neste ponto, ela está correta. Mas por que? Por que dificilmente há, relativamente falando, algum londrino branco servindo café no Pret ou fritando hambúrgueres no McDonalds?

 

Com a imigração em massa para o ocidente, tudo funciona em ciclo. Imigrantes pobres chegam de lugares como Bangladesh, Nigéria e El Salvador, muitas vezes sem nada mais que um diploma colegial. Eles trabalham em empregos servis. Talvez a filha Gita seja inteligente, dedicada e vá para a universidade e a família consiga se esgueirar para fora da classe baixa. Ela virou médica. Agora, quem vai fazer o café da Gita? Imigrantes, é claro! E o ciclo continua. Se a família não tiver sorte e Gita não for para a escola de medicina, sociólogos irão culpar o racismo pela pobreza da família. E assim por diante, uma corrente trazendo almas atomizadas e nostálgicas de todo o planeta chegando em cidades ocidentais sombrias (todas as cidades são sombrias, se você é pobre) para fazer trabalhos que os nativos são “bons demais para fazer”, mesmo quando o nativo está desempregado há muito tempo.

 

O vídeo do Question Time me lembrou de um artigo que eu li no New York Time descrevendo a vida de um refugiado congolês em Columbus, Ohio.

 

O que era para ser retratado como um exemplo do sonho Americano em ação, aparentou mais ser um pesadelo. A história é a seguinte: ele vive com a esposa, oito filhos e dez colegas. Ele anda 60 km de ônibus todo dia até uma indústria de embalar carne e trabalha com homens e mulheres de países como Myanmar, Congo e Butão. Ele não fala inglês, mas através de um tradutor, ele conta a repórter que trabalha nove horas por dia, sete dias por semana e chega em casa a uma da manhã, quando sua esposa e filhos já estão dormindo. Ele diz que ele é “muito sortudo”, apesar de que nenhuma pessoa que cresceu na América diria isso. Se é um americano exposto a tais condições, criam-se documentários como “Fast-Food Nation” do Michael Moore e desperta-se a fúria neo-marxista de Naomi Klein.[1]

 

Ao invés de diminuir o racismo, o produto da imigração em massa é que ocidentais começam a subconscientemente associar trabalhos em particular com certas raças, grupos étnicos e nacionalidades. O empacotador de carne congolês ganha US$ 11,50 por hora trabalhando em Ohio. É um avanço gigantesco comparado à vida no Congo devastado pela guerra, onde o PIB per capita é de US$ 500,00. Aqui, o argumento feito é o de que o imigrante agora tem a chance de “uma vida melhor” e este nobre esforço deveria suplantar todas as outras preocupações. Mas se a pessoa não estiver fugindo do perigo real de uma guerra o que define “uma vida melhor” senão a aquisição de bens materiais, frutos do capitalismo, que os seus filhos americanizados levarão para viagens de reuniões de família em Lagos ou Mogadíscio?[2]

 

Alguém acredita que algum dos oito filhos do homem congolês — que, se forem para a universidade, ouvirão constantemente que são vítimas do racismo, colonialismo e do capitalismo — estarão felizes em trabalhar numa fábrica de empacotamento de carne? Provavelmente não. Ainda assim, alguém tem que fazê-lo. Em Londres, os trabalhadores do Sri Lanka ganham muitas vezes mais do que poderiam esperar ganhar em Colombo[3], mas os banqueiros, estudantes de arte e editores de moda que compram os cafés e nunca os viram servidos por alguém que parece ou fala como eles, irão absorver a mensagem sutil: estes são trabalhos para os outros.

 

Nações ultra-homogêneas como o Japão e a Coreia do Sul não têm estes problemas. Ninguém no Japão pergunta quem servirá os cafés, porque eles já sabem a resposta: os japoneses. Japoneses irão trabalhar em coffee shops, redes de fast-food e fábricas embaladoras de carne. E porque todos são japoneses, empresários avarentos não podem explorar os mais destituídos do mundo enquanto se sentem afortunados por terem essa oportunidade de explorar. Ninguém no Japão subconscientemente pensa “isso é um trabalho para africanos o centro-americanos” porque os japoneses fazem todos os trabalhos.

 

Se todo trabalhador estrangeiro, de fato, desaparecesse do dia para a noite da Inglaterra, o resultado seria obviamente o caos; mas seria apenas temporário. Não é como se os ingleses tivessem algum defeito genético que lhes causasse alergias se eles tivessem de fazer algum trabalho servil. Eles não têm nenhuma problema em limpar chaminés, trabalhar em minas ou o trabalho manual duro que iniciou a revolução industrial. Mas eles viram estrangeiros desesperados de países em desenvolvimento fazendo certos trabalhos por tanto tempo que mesmo a ideia de trabalhar em algumas áreas sequer lhes passa pela cabeça. Longe de ser uma defesa do globalismo, dizer “você não vai arranjar ingleses dispostos a fazer este trabalho” realça as suas falhas.

 

O fluxo de imigrantes pouco qualificados não enriqueceu Londres. Não fez Londres “mais forte” de qualquer maneira que não seja desesperadamente vaga. Tóquio e Seul tem muitos poucos imigrantes, mas ninguém descreveria estas cidades como fracas ou débeis em algum sentido. Não, como o membro da plateia do Question Time mostrou, imigração em massa tornou muitos londrinos em seres apáticos e decadentes que riem da ideia de fazerem café por £6.50 a hora e isso cria uma divisão social tão profundamente danosa que mal podemos compreender. Adicione isso à inveja da massa-industrial que foi transformada em arma pela esquerda e você tem a receita do desastre. Mantenha as fronteiras abertas e só vai piorar.

 

[1] Naomi Klein é uma ativista social canadense, autora de documentários e crítica do capitalismo.

[2] Lagos é a capital da Nigéria, Mogadíscio é a capital da Somália.

[3] Colombo é a maior cidade do Sri-Lanka.

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