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Mitologia Viking: O que um Homem pode aprender com Loki (Sobre não-masculinidade)

Loki - Deus da Trapaça

Nenhuma visão geral da mitologia Viking seria completa sem aprofundar um pouco em Loki e o papel que ele desempenha no universo nórdico. Junto com Odin, ele é o mais misterioso e confuso dos deuses. Parte da confusão provém da dificuldade em definir sua aparência. Ele é filho de um gigante e uma figura desconhecida - talvez uma gigante, uma deusa, ou algo completamente diferente. Loki às vezes é antropomórfico (como os outros deuses), às vezes um metamorfo (como Odin), e até mesmo uma vez uma mãe - ele pariu Sleipnir, o cavalo voador de oito patas. Ele era até mesmo pai, mas seus descendentes eram seres aterrorizantes como Jormungand (a serpente que rodeia o mundo), Fenrir (o grande lobo) e Hel (a deusa do submundo). Antes de aprofundarmos em seus atributos de caráter, é óbvio que Loki é excêntrico e difícil de confiar.

Loki's Brood. Emil Doepler, 1905. No quadro pode-se ver a giganta Angrboda olhando para seus filhos, Fenrir, Jormungand e Hel.

 

Em termos de comportamento, ele aparenta ser brincalhão malicioso ou absolutamente mal, dependendo da história. Um leitor da mitologia nórdica muitas vezes fica perplexo pelas atitudes de Loki e como essas ações são vistas por seus deuses companheiros. Ele é esperto, mas carismático até certo ponto, e é um pouco misterioso o porquê dos outros deuses em Asgard o mantém por perto.


Embora ele esteja sempre presente no mundo nórdico, ele nunca foi realmente adorado pelos vikings como os outros deuses foram. Além disso, embora ele tem um papel em muitos mitos, ele nunca é o herói. Ele é simplesmente um coadjuvante - um inimigo ou um amigo, ajudando, ferindo ou instigando pelos cantos.


Vejamos brevemente a história em que ele é o protagonista, mas como você verá, claramente não é o herói.


Baldur era um dos filhos de Odin, conhecido por ser generoso e corajoso. Quando ele começou a ter sonhos sobre um evento terrível que o acometeria, seu pai - o sábio chefe - foi encarregado de inspecionar o significado por trás desses prenúncios.


Então Odin aventurou-se ao submundo, onde, depois de consultar um vidente, soube que Baldur estava realmente condenado e destinado a uma morte precoce.


Frigg, a mãe de Baldur, estava obviamente perturbada por essa notícia. Então ela obteve juramentos de tudo no universo para não machucar seu filho. Os deuses até o testaram lançando grandes pedras e dardos contra ele, apenas para ver os projéteis ricochetear dele e caírem inofensivamente no chão.


Loki, é claro, viu uma oportunidade para trapacear. "Todas as coisas pronunciaram juramentos para não causar danos ao Baldur?", ele perguntou para Frigg. "Oh, sim," ela respondeu, "tudo menos o visco. Mas o visco é uma coisa tão pequena e inocente que eu sentia supérfluo pedir-lhe um juramento. Que mal poderia fazer a meu filho?


Loki saiu para encontrar um visco e levar de volta a Asgard. Aproximou-se do deus Hodr, que era cego, e o convenceu a pegar uma lança e atirá-la em Baldur como mais uma prova de sua invencibilidade. Na verdade, a lança foi entalhada a partir de visco. Hodr jogou a lança, que perfurou Baldur e o matou no local.


Depois que Baldur foi morto, outro deus, Hermod, cavalgou para o submundo para tentar convencer a deusa Hel a libertar Baldur de volta para Asgard porque ele era tão universalmente amado. Hel concordou que se cada criatura no mundo chorasse por Baldur, ela o liberaria. E todo ser vivo realmente chorava pelo deus caído - exceto um. Uma gigante chamada Tokk - certamente Loki disfarçado - reteve seu choro, assim Baldur permaneceu no submundo.

Este conto levanta a questão de onde Loki se encaixa no panteão dos nórdicos. Por que ele está lá? Que papel ele desempenha e o que podemos aprender com ele?


Embora seja uma questão frequentemente debatida, minha própria pesquisa parece colocá-lo como um personagem semelhante ao diabo. Não é o Satanás cifrudo de pele vermelha que você provavelmente está imaginando, no entanto. O cristianismo primitivo via o diabo mais como um trapaceiro, um ser que constantemente mente e engana por ações sutis e não por meio de mal evidente. As brincadeiras mais comuns de Loki são ações pequenas e aparentemente inócuas, mas frequentemente levam a terríveis consequências.


Quando os vikings começaram a se converter ao cristianismo perto do fim de sua Era, combinaram seus deuses pagãos com sua religião nova. O personagem de Loki fez um paralelo fácil com Satanás. Nas pinturas, principalmente na medida que os mitos envelheceram pelos séculos dos anos 1000, tornou-se uma figura semelhante ao bobo da corte, outra imagem que também era muitas vezes atribuída ao demônio cristão.


A este respeito, Loki exemplifica o arquétipo do trickster (trapaceiro) que tem estado presente na mitologia e no folclore há milhares de anos e em todo o mundo. Retratado como um tolo sábio, este caráter ubíquo (universal) é frequentemente masculino, é geralmente astuto e às vezes até mesmo brincalhão, que espalha principalmente a discórdia através das brincadeiras e do engano. Às vezes, o trapaceiro é simplesmente usado para entretenimento leve (como o Pernalonga), e outras vezes - como no caso de Loki - é mais um ser malicioso.


Sua presença é muitas vezes vista como uma forma de levar as pessoas a pensar e comportar-se de forma diferente - não apenas fluir junto com o status quo e aceitar as coisas como elas são. O trapaceiro é a prova de que o engano existe em nosso mundo; às vezes é brincalhão, muitas vezes é destrutivo.

Uma coisa é certa (e alguns especialistas observam que isto é como os nórdicos olham para ele): Loki encarna tudo o que um homem não deve ser. Ele não é confiável, desleal, maligno, vil, hedonista... uma lista de características negativas. Ele também é incrivelmente profano - a vida era simplesmente uma piada para ele; não havia nada de sagrado no mundo em que ele vivia. Para os deuses que eram adorados e para as pessoas que os adoravam, toda a vida era sagrada. Thor estava presente nas tempestades, Odin tomou voo como um corvo e usou outras criaturas como seus cães de guarda - mitologia nórdica está cheia de exemplos da mistura do mundo natural e do mundo dos deuses.

 

Como observa um escritor moderno, o povo viking achava que "encarnamos Loki sempre que se vive de maneira totalmente profana, sem qualquer referência a modelos sagrados - daí a total falta de alianças de Loki com os deuses, os gigantes ou qualquer outra pessoa".


Ao invés de ser plana e unidimensional, a vida pode ser imbuída de beleza e mistério quando vista através de uma lente que diz que tudo é sagrado. Somos leais aos que estão do nosso lado, porque possuem significado no mundo, assim como nós. Nós não somos hedonistas, porque há mais da vida do que o que pode ser visto em uma tela ou em um prato na frente de nós. Não importa a sua religião ou falta dela, você pode tratar todos os dias com uma certa sacralidade que dá textura a uma existência que de outra forma seria sombria.


E talvez seja por isso que Loki foi mantido no panteão dos nórdicos. Os homens precisam de exemplos não só do bom, honroso e moral, mas também do anti-homem. É por isso que temos lições de não-masculinidade no site - podemos aprender tanto a partir de anti-exemplos como podemos a partir dos bons exemplos. Quando você lê os mitos dos Vikings, você fica irritado com Loki. Você aprende com ele a partir de um viés negativo - você olha para suas características e elimina-as de sua vida. Ele é um mentiroso enganador, então você deve ser honesto e sincero em suas interações com as pessoas. Ele não é confiável, então você deve se esforçar para ser um bastião de confiabilidade. Seu caráter é tão instável quanto a areia, então tenha certeza que você tenha seu alicerce moral tão sólida quanto a rocha.


Para alguns, a palavra "trickster" (trapaceiro) denota algo leve e brincalhão - como um rapaz que puxa uma brincadeira. Ao longo de escrever esta série, eu conversei com várias pessoas sobre mitologia nórdica, e Loki é inevitavelmente um dos personagens que eles estão familiarizados. Ao invés de ser sinistro, no entanto, eles veem-no de forma inocente - divertido, brincalhão, e um vigarista sem dúvida, mas não causando nenhum dano real.


No entanto, eu diria que ele de fato deve ser visto através de uma lente mais séria. Seus atos individuais de maldade podem ser pequenos no início, mas possuem consequências muito maiores do que poderia ter sido previsto. Loki trouxe visco para Asgard e um dos deuses amados morreu. Você dá uma cantada em sua colega de trabalho e isso pode ocasionar o fim de seu casamento. Pequenos atos mentirosos aparentemente inocentes podem se transformar em terríveis consequências. 


Até mesmo os deuses ficaram impacientes com as artimanhas de Loki e ele teve o que merecia. Após a morte de Baldur e contínua a zombaria dos outros deuses, ele foi preso com entranhas a uma rocha e condenado a ter uma serpente pingando veneno em seu rosto para sempre. Ele se libertaria apenas com a chegada do Ragnarök.

Original: http://www.artofmanliness.com/2015/06/10/viking-mythology-loki/

 

Aprenda mais: http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/10/loki-uma-analise-dos-mitos-sobre-o.html


Outros textos na nossa série sobre Mitologia Viking:

 

O que um Homem pode aprender com Odin
O que um Homem pode aprender com Týr

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