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Mitologia Viking: O que um Homem pode aprender com Týr

November 14, 2016

Týr – Deus da Honra e da Justiça

Týr é um nome bastante reconhecido entre o povo Escandinavo e entusiastas Nórdicos, porém não tem muito reconhecimento “mainstream”. Isto é provavelmente devido ao fato de que o mesmo não estreou em algum filme da Marvel (ainda), e que realmente existe apenas um mito predominante sobre ele (onde logo chegaremos). Essa falta de contos sobre o Týr como personagem central é surpreendente, sendo ele o “Guardião da Justiça” e às vezes até mesmo chamado como o mais ousado dos deuses Nórdicos — aquele que inspira Heroísmo e Coragem. Com todo esse “pedigree”, você ousaria a pensar que poderiam existir mais mitos em torno dele. Bem, em algum tempo, provavelmente existiram.
 

Antes da Era Viking, o povo Germânico do Norte possuía um panteão de Deuses e Deusas muito similar. Eles eram mais primitivos, e não tão aperfeiçoados. Nesse panteão, Týr era provavelmente o Deus-chefe, passou também pelo nome de Tiwaz. Ele era um dos deuses da Guerra, equivalente ao deus Romano Marte - como Týr, suas características principais eram Honra, Justiça e Coragem. Na Era Viking, entretanto, a centralidade de Týr/Tiwaz foi substituída por Odin e Thor. Isso nos diz algo da diferença entre as culturas Germânicas. No mundo Germânico do início e meados dos anos 100, a batalha era crucialmente importante. A Coragem e a Bravura na guerra eram algo profundamente fundamental para a vida do Homem.
 

Quando os Vikings ganharam destaque, essa fundação mudou um pouco. A coragem marcial era com certeza ainda valorizada, porém os Nórdicos eram incursores e saqueadores em vez de Soldados em campos de batalha. Eles tomavam portos à beira-mar com seus navios “Drakkar”, e simplesmente dominavam seus inimigos. Então, um padrão que abrangeu a Sabedoria, Inteligência e Estratégia, juntamente com a Força Pura, tomou posse — As principais características de Odin e Thor. Assim, Týr tomou um “assento traseiro”, relegado a ser um Deus menor.

 

Como mencionei acima, entretanto, há um mito importante em que ele mostra seu caráter, e oferece uma grande lição para ambos: Vikings e nós do Mundo Moderno.

Loki – o trapaceiro astuto — era pai de três grandes e aterrorizantes seres: Jormungand — a Serpente que rodeia o mundo, Hel — a Deusa da morte, e Fenrir — o grande Lobo. Os outros Deuses possuíam um terrível pressentimento sobre esses descendentes de Loki, e tomaram a ação de mantê-los à distância. Eles jogaram Jormugand no oceano, relegaram Hel ao submundo e mantiveram Fenrir em Asgard para que pudessem manter uma visão próxima dele. Mesmo quando o Lobo era apenas um filhote, apenas Týr tinha a coragem de alimentá-lo. Fenrir cresceu e cresceu, e os Deuses decidiram que não poderiam mais mantê-lo em Asgard. Sabendo da destruição que Fenrir causaria caso fosse libertado à vagar pelo mundo, eles decidiram prendê-lo com várias correntes e cordas.

 

Para obter o consentimento de Fenrir, os Deuses o disseram que essas amarrações eram apenas meras provas de força; eles até mesmo aplaudiram quando o Lobo tentava rompê-las. Desesperados para uma solução, os Deuses mandaram uma mensagem aos Anões — os melhores forjadores do Universo — para criar algo que nem Fenrir conseguiria se livrar. Eles forjaram Gleipnir — uma corda que era feita do som das patas de um gato, da barba de uma mulher, das raízes de uma pedra, do respirar de um peixe e da saliva de um pássaro. Como essas coisas não existem, é inútil lutar contra elas.

 

Quando os Deuses apresentaram a Gleipnir para Fenrir como outra prova de sua força, ele ficou desconfiado. A corda era muito leve e sedosa, como isso poderia segurá-lo? Algo estava por vir. Então ele insistiu que não seria amarrado a não ser que um dos Deuses colocasse as mãos em suas mandíbulas como sinal de boa fé. Týr — sabendo muito bem as ramificações de sua decisão — foi o único deus a colocar um pé à frente. Fenrir foi amarrado e, claro, tomou a mão de Týr como retribuição. Daí em diante, Týr carregou uma deficiência permanente e uma cicatriz que falava de sua Bravura para o bem do mundo inteiro.

Odin também sacrificou um de seus olhos para ganhar sabedoria. Era, em muitos aspectos, uma busca egoísta — é claro, outros se beneficiavam, mas ele estava a busca do conhecimento pois ele tinha um desejo voraz pelo mesmo. Týr também se sacrificou fisicamente, mas foi em grande parte pelo bem de sua Comunidade. Sim, a amarração de Fenrir obviamente obteve a segurança do próprio Týr, mas, em última análise, suas motivações foram direcionadas para ajudar seus companheiros, assim como os humanos, que residiam em Midgard, abaixo de Asgard.

 

Sacrifício para obter uma melhora para si mesmo é certamente uma coisa boa. Melhor ainda, porém, é sacrificar-se de uma maneira que beneficia os outros. Essa é a essência do Legado. Ao dar sua mão, Týr fez do mundo um lugar mais seguro e ganhou um lugar de Honra entre os Deuses. Ele ganhou o respeito de seus companheiros, e foi elevado entre os mesmos como sendo o mais corajoso de todos. Claro, Thor era mais forte, mas o quão corajoso você é quando sua força é inigualável?

 

Assim como Cristãos extraem a força do sacrifício de Cristo, os Vikings (e até mesmo seguidores modernos da antiga religião Nórdica!) olharam para Týr da mesma maneira. Seu exemplo deu Coragem e Bravura. Se Týr pudesse sacrificar sua mão — algo crucialmente importante para um Deus da Guerra — certamente até o povo poderia fazer pequenos sacrifícios para o bem de seus amigos e parentes.

 

Servir outras pessoas é fácil quando se encaixa ao nosso “cronograma” ou talentos. Muito mais difícil é servir nossa comunidade quando somos desafiados a fazer algo que não gostamos, ou em que não somos bons, ou que sabemos que nos trará alguma quantidade de dor financeira ou física. E essa última é a mais dura, não é? Sacrifício físico dói literalmente, e podem haver consequências fisiológicas (e até mesmo psicológicas). E ainda é um imperativo moral que os homens têm suportado por milhares de anos. Os homens das cavernas arriscavam suas vidas para caçar sua janta, exploradores e homens da fronteira atravessaram grandes extensões de mar e terra para encontrar uma vida melhor (e muitos não voltaram). Nos tempos de perigos e desastres, os homens ainda colocam suas vidas na linha para proteger as outras.

 

Oportunidades para fazer sacrifícios físicos nem sempre aparecem no nosso seguro mundo moderno, mas um Homem deve estar pronto se/quando tal exigência surge. Týr certamente não quis perder sua mão para Fenrir naquele dia, mas quando a Comunidade estava em extrema necessidade, ele deu um passo à frente.

Além do sacrifício físico, existem outras maneiras de servir aqueles ao seu redor em circunstâncias difíceis. Talvez você sirva em algum conselho burocrático, sem fins lucrativos, porque você sabe que pode melhorar a comunidade, ou da próxima vez que um amigo (ou vizinho, conhecido) pede ajuda com a mudança, talvez você dirá que sim.

 

Você será o tipo de Homem que serve apenas quando lhe é fácil e conveniente? Ou você, como Týr, irá estender sua mão, mesmo sabendo que lhe custará algo?

Original: http://www.artofmanliness.com/2015/05/21/viking-mythology-what-a-man-can-learn-from-tyr/

 

Outros textos na nossa série sobre Mitologia Viking:

 

O que um Homem pode aprender com Odin
O que um Homem pode aprender com Loki

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