A Verdadeira Pandemia

O mundo está em pânico, o mercado de ações está afundando, e até mesmo os ricos e poderosos estão sendo atacados por um vírus que ninguém realmente entende. Somos ditos que isso ainda não é uma pandemia, mas que pode se tornar. (O texto é de 20 de fevereiro, antes do COVID-19 ter sido declarado pandemia)


Estou impassível. Nós já temos uma pandemia. Os inúmeros suicídios, overdoses, e comportamentos autodestrutivos entre jovens homens somam um total de mortes maior do que qualquer vírus.


Até as imprensas corporativas falam de “morte por desespero”, as pessoas em Middle America (região central/coração dos Estados Unidos) que estão se drogando e bebendo até a morte. Suas instituições os falharam; as indústrias que os sustentam terceirizaram seus empregos. A igreja, para muitas pessoas, não fornecem respostas, parcialmente pela falta de coragem de seu clero em defender suas próprias doutrina.


O que realmente está acontecendo é que as pessoas perderam seus núcleos, seus propósitos, suas identidades. Na mitologia germânica, o Irminsul, alguma vezes representado como uma árvore sagrada, era um pilar que sustentava os cosmos. Era um lugar onde uma tribo poderia se firmar, uma forma dos indivíduos conheceram seu valor e sua identidade. Quando Carlos Magno e outros forçaram a cristianização do povo germânico, eles destruíram esses símbolos. Foi uma forma de usurpar uma tribo de sua identidade e resistência.


Mas isso não é sobre religião, ou outro debate cansativo de “cristão vs pagão.” É sobre um conceito mais universal, a ideia de um núcleo, as raízes de uma identidade. Várias seitas cristãs olharam para Roma, Jerusalém, ou Constantinopla como um núcleo. Judeus pensam sobre o Templo; centenas de milhares de muçulmanos voltam-se para Meca todos os dias para rezar e são requeridos a fazer uma peregrinação.


É claro que, por conta do vírus, a Arábia Saudita baniram temporariamente a peregrinação. Eu vejo isso como apropriado. Nós vivemos em um mundo de comodidade e dessacralização. Sentimos como se não tivéssemos o controle de nossas próprias vidas. Nós somos peões de titãs políticos e econômicos e a ideia que temos de autogoverno é uma piada de mal gosto. Até mesmo aquelas coisas que algumas pessoas veem como sagradas não conseguem sobreviver nessa atual ordem econômica e global. Acontecimentos à milhares de quilômetros de distância e pessoas de quem nunca nem ouvimos falar parecem ditar nossas vidas.


Muitas pessoas podem acreditar (ou fingir que acreditam) em Deus ou deuses, mas não é aquela certeza abrangente que as pessoas desfrutavam no passado. Jean-Paul Sartre disse que nós estamos “condenados a sermos livres.” Não há divindade para moldar nossas vidas então nós temos a horrível responsabilidade de decidir “como viver.” É claro, a própria escolha de Sartre foi de se jogar atrás movimentos políticos na moda, idolatrar ressentimento ao invés de algo digno a se servir.


Isso é o que a maioria das pessoas fazem. Faltando identidade, significado e propósito, elas perseguem o dinheiro, notoriedade, poder político ou prazeres momentâneos. Tentamos mostrar que somos melhores que certas pessoas por termos mais dinheiro ou influência online. Nietzsche disse que precisamos nos tornar dignos da morte de Deus; ao invés estamos nos degradando cada vez mais. Possuímos tecnologia que poderia nos dar o poder de deuses; ao invés disso joga-se jogos de celulares e assiste-se futebol.


As “curas” que as pessoas demandam para problemas sociais como desigualdade de renda ou planos de saúde só irão piorar a situação. A burocracia de um governo não pode substituir uma tribo e um passaporte não lhe dá uma identidade de verdade. Quando as pessoas invocam “comunidade,” é normalmente um sinal de que uma comunidade de verdade não existe.


Então nós sofremos. Sofremos sozinhos. Enquanto o resto do mundo ri do nosso sofrimento. Os grandes e os bons acreditam que nossa dor deve ser ridicularizada. Vivemos vicariamente por telas azuis, dando nosso tempo e dinheiro para pessoas que nos desprezam.


Eu conheci aqueles que tiraram a própria vida, voluntária e involuntariamente. É claro que, quando se trata de overdose, ainda existe o elemento de escolha, porque todo mundo sabe como a história acaba. Em todos esses casos, eu senti responsabilidade pessoal. Senti isso não por “não estar lá por eles” ou eu não os encaminhei para uma maldita linha de ajuda, mas porque eu não fui capaz de fornecer uma alternativa.


Obviamente, eu reconheço que todos têm uma agência. Como alguém que já lutou contra o suicídio, eu também entendo que quando você é agarrado pelo impulso de autodestruição, a última coisa que você vai querer é alguém que o diga que a “vida vale a pena ser vivida.” Será mesmo? Soa como um golpe, como a pessoa lhe dizendo que só não quer ter que lidar com as consequências da sua morte. Isso só o deixa mais ansioso para colocar o cano na sua cabeça. Significa que até o ato de evitar suicídio é sinal de fraqueza e medo.


Eu também entendo que até mesmo quando há um gatilho para o suicídio - uma separação, perda de um emprego, a morte um ente querido - sempre haverá algo maior por trás, algo subconsciente. É o conhecimento de que, o que quer que estava lhe prendendo a esse mundo se foi.


Se você for pensar de uma forma racional, a soma total de sofrimento na sua vida supera a alegria. Qualquer que sejam as experiências, realizações ou relacionamentos que você alcance, vão todos acabar com a morte. A vida em si não vale a pena ser vivida.


Então por que continuamos? Ou melhor, por que alguns de nós continuam? Não é por temer o que há doravante, como Hamlet temeu. É porque sentimos que temos algo a fazer. A vida alcança a si mesma; seguimos adiante porque estamos construindo algo maior que nós mesmos. “Vita est milita super terram” - a vida é o serviço do soldado para com a terra.


Qual a missão? Alguns vão dizer que “fazer o bem ao próximo” ou “ser gentil” ou “amar as pessoas.” Isso é mesquinho, sem sentido. É algo bom reconfortar os que estão morrendo nos hospitais, mas não muda o fato de que estão morrendo. Se você declara amar toda a humanidade, você provavelmente não ama ninguém. Aqueles que mais assumem amar a todos geralmente são os mais cruéis e desonrosos em suas condutas pessoais.


Nós precisamo de um propósito e objetivo maiores para justificarmos nossa estadia aqui. Nietzsche disse que foi o Übermensch, mas cada um tem sua própria definição do que isso significa. Nós não podemos filosofar nosso caminho para justificar a vida. Precisamos de algo maior que a vida. Precisamos de Mitos.


O que é o Mito? É algo que nos faz sentir e saber que fazemos parte de algo eterno. Não estamos buscando apenas poder e prazer. Estamos perseguindo um Ideal e não o fazemos sozinhos. A nós se juntam camaradas vivos e fileiras dos mortos vitoriosos.


Nosso Ideal não se trata de arrastar o mundo para o charco do igualitarismo. É o de perseguir algo maior, melhor, e acima de nós mesmos. Trata-se de uma missão sagrada. E devemos suportar e nunca desistir, porque nós não podemos decepcionar nossos companheiros e nem falhar no nosso Ideal.


Eu sei que alguns de vocês estão sofrendo. Também sei que essas faces de gargalhadas nas suas telas azuis querem que vocês puxem o gatilho, que enfie a agulha no braço, se destruam com comida e bebidas baratas. Os desafiem. “O ódio vai mantê-lo vivo onde o amor falhou,” escreveu Mark Lawrence em um de seus romances. Isso é verdade, mas se esgota eventualmente. No fim das contas, o amor é o que o sustentará. Não é apenas a porcaria do cartão de felicitações e vigília a luz de velas que é hoje em dia. É a devoção ardente aos seus companheiros, conflito e uma cruzada divina.


Estamos sem raízes e a deriva. Ainda assim há algo nos convocando. O Irminsul prevalece, cabe a nós encontrá-lo. Não deixe que esse mundo acabe com seu corpo e seu psicológico. Ao invés disso, ache sua identidade, sua casa, seu núcleo. Encontre aqueles que sempre o erguerão. Faça de todo momento de dor um sacrifício no altar do nosso grande Ideal. E não importa o que aconteça, resista.


Você não é um maldito de um consumidor e muito menos um produto. Você não é um número na estatística de algum governo. Você é um peregrino numa missão sagrada. Aceite seu fardo, cumpra com seu dever e você também viverá um Mito que ultrapasse a vida. Não se torne mais uma baixa do Império, da anti-cultura que o quer morto, a pandemia espiritual que está ceifando nossa vontade de viver. Rebele-se.

Postado em 20 de Fevereiro de 2020, War Journal - Operation Werewolf

Por Operative 413

Traduzido por Bruno F.G. Albuquerque


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