Crush The Urbanite


*O termo urbanite não se refere aos moradores de cidade grande num geral, porém sim aqueles que consomem da cultura de metrópole. Basicamente pessoas modernetes e hipsters cujo objetivo de vida é estar sempre dentro das tendências e moda, enquanto sua opinião política é pautada em fatores de sensibilidade e não verdadeiramente estudados e argumentados.

Crush The Urbanite – Esmague o “morador da cidade grande” – foi um “grito de guerra” presente nos meios da Alt-Right americana logo após os resultados da votação para eleição de presidentes dos EUA. Trump ganhou pelos votos das pequenas cidades, dos caipiras americanos, da gente simples do campo – Rednecks e Hillbillies. É certo que a Esquerda americana (o Partido Democrata e o Green Party da Jill Stein) culpou não o homem simples do campo, mas o “homem branco”, assim ataques diretos à uma etnia inteira foram feitos com a mesma rapidez que Hillary Clinton despencou nas pesquisas de opinião. Combinamos isso às eleições da Áustria que ocorreram logo após a americana, aonde a Direita que prometia fechar as fronteiras aos imigrantes e ser dura com os refugiados perdeu, sendo eleita a Esquerda que prometia um programa próximo ao de Angela Merkel. Quem elegeu a Esquerda austríaca? As mulheres. Mais uma vez a mídia com viés progressista foi rápida em mostrar isso como um prêmio, um triunfo do feminismo e do “gênero oprimido” tendo uma voz – uma voz que serviu para importar para a Áustria o mesmo sistema que existe na Suécia e Alemanha. Mas foram mesmo as mulheres? O fato é que quem votou na Esquerda progressista tanto na Áustria, quanto nos EUA, como também aqui no Brasil, foram as grandes cidades - os filhos do meio urbano - e quem votou na Direita que, quer gostemos ou não, defende algum resquício de valor tradicional e identidade cultural; foram as pessoas simples, do campo, das pequenas e médias cidades (tanto homens quanto mulheres, afinal nos EUA, as feministas também atacaram as “mulheres brancas” por votarem no Trump). No Brasil, aonde isso se demonstrou mais claramente foi na eleição municipal carioca, aonde Freixo foi eleito com maioria apenas na Zona Sul, enquanto praticamente todo o resto da cidade votou para o candidato Crivella que prometia medidas mais alinhadas com sua visão Cristã.

O que podemos discernir disso tudo? Primeiramente podemos seguramente falar que a Esquerda progressista, principalmente nos EUA e, avaliando a situação atual da Europa, talvez futuramente no Velho Continente também, parou de se tornar apenas uma “outra opinião” divergente da Direita. Antigamente a Direita e a Esquerda eram a forma com que um povo, fixado numa identidade e com uma herança cultural próxima, se organizava. Era como os americanos, como os alemães ou como os italianos se organizavam; como eles decidiam o próprio futuro e da sua cultura pelo menos pelos próximos quatro ou oito anos (e a crítica à democracia deve ser feita em um outro momento, aqui nos limitamos a criticar esta parte apenas). O problema é que com os valores progressistas (presentes tanto na Esquerda quanto na Direita) corroendo as bases dessa herança cultural, a identidade dos povos foi se dilacerando e se tornando fragmentada. Hoje, principalmente nos EUA, vemos o que se tornou: a Direita se transformou no último bastião da esperança para os brancos, cristãos e homens do campo (ou seja, para aqueles que compõem a base da sociedade americana em sua identidade cultural); e a Esquerda se tornou o depósito de todos que não são “americanos” por assim dizer, tendo entre os vários grupos que votam no Partido Democrata americano, os que têm seus interesses raciais em vista (a comunidade negra americana sempre votou em democratas, pelo menos após Lyndon B. Johnson – ainda que historicamente o Partido Democrata tenha sido principal causa para dificuldades em aquisição de direitos civis e políticos dos negros), os que têm seus interesses econômicos (latinos e outros grupos imigrantes), bem como aqueles que foram seduzidos pela ideia de uma sociedade multicultural (os vários jovens das grandes cidades, por exemplo). A Esquerda não consegue dialogar com a Direita porque ela está, em última instância, unida apenas por uma fraca corrente ideológica – pois como eles não têm uma herança cultural comum, uma identidade, um lar, eles só podem se agarrar a algo mais maleável como a opinião política. Enquanto isso, a Direita tem tudo menos uma ideologia fixa – por isso a Direita americana mudou seu discurso nessa eleição e Trump defende o protecionismo econômico ao invés do Livre Mercado dos Liberais, por exemplo – pois aqui se têm a ideia de uma identidade, de defender o seu lar contra a drástica mudança cultural imposta pelas massivas ondas de imigração e de “progressismo” que a mídia parece empurrar como engenharia social na sociedade. Ter uma identidade está acima de qualquer ideologia. A Esquerda progressista parece ser incapaz de compreender isso, esse amor à terra e a quem somos, nossa etnia, nossa religião, nossos costumes, pois o Ethos do “progresso” é o “não-ethos” das grandes cidades.

Em seu Livro Verde (Green Book), Mu'ammar al-Qadhaf escreve:

“Nações cujo nacionalismo fora destruído estão sujeitas à ruína. Minorias (étnicas, religiosas, etc...), que são um dos maiores problemas políticos do mundo, são o efeito colateral disso. Elas (as minorias) são nações cujo nacionalismo foi destruído e que consequentemente foram dilaceradas. O fator social é, portanto, o fator da vida – um fator de sobrevivência. É o instinto inerente da nação de sobreviver.

Nacionalismo no mundo humano e instinto grupal no mundo animal são como gravidade no mundo material e dos corpos celestes. Se o Sol perder sua gravidade, seus gases iriam explodir e sua unidade iria não mais existir. De fato, unidade é a base da sobrevivência. O fator de unidade em qualquer grupo é um fator social: no caso do Homem, é o nacionalismo. Por essa razão, as comunidades humanas lutam pela sua própria unidade nacional, a base de sua sobrevivência.

O fator nacional, os laços sociais, funciona automaticamente como algo que impulsiona uma nação para sua sobrevivência, da mesma maneira que a gravidade de um objeto funciona em modo de mantê-lo uno, com sua massa, circundando seu centro. A dissolução e a dispersão dos átomos numa bomba atômica são resultado da explosão de seu núcleo, cujo foco é a gravitação das partículas ao seu redor. Quando o fator de unidade nestes componentes é destruído e a gravidade perdida, todos átomos são separadamente dispersos. Essa é a natureza da matéria. É uma lei natural já estabelecida. Ignorá-la ou ir contra ela é danoso à vida. Similarmente, a vida do homem é danificada quando de desconsidera o nacionalismo - o fator social – pois é a gravidade do grupo, o segredo de sua sobrevivência. ”

O “ethos” (que deveria ser chamado de “não-ethos” ou “anti-ethos”) da cidade grande, em todo lugar do mundo aonde existem grandes cidades, é o mesmo: corrosão cultural da identidade e da etnia. A destruição do nacionalismo, como posto por Gadaffi, que antes só poderia ocorrer por meio de guerras, genocídios e afins, hoje acontece como efeito colateral, passivamente, da degeneração da Grande Cidade. Enquanto o nosso destino for ditado pelos cosmopolitas, ele será igual o destino das civilizações cosmopolitas – a total ruína. O estilo de vida do cosmopolita rico em prazeres é também insustentável, e não só destrói a cultura e a identidade cultural de uma nação, como também cria problemas ambientais diversos, cada vez mais demandando por matérias primas que num futuro próximo não existirão.

Se temos de pensar em uma alternativa, devemos pensa-la em todos âmbitos, pois o movimento ambientalista, politicamente, está impregnado de progressismo cultural – me diga: como que algo que apenas existe graças ao “anti-ethos” da Grande Cidade vai continuar a existir num mundo com menos prazeres carnais, aonde o estilo de vida se torna sustentável? Não apenas os desejos psicológicos no íntimo dos progressistas estão correlacionados com o consumo acima do normal de açúcar e outras substância só fornecidas ao ser humano nesse ambiente artificial da grande cidade, como também indiretamente esse desejo deveras disgênico de abraçar estratégias de grupo que levariam, na natureza, à morte do grupo, é também um fenômeno que surge e se sustenta quando a Grande Cidade disponibiliza a divisão de trabalho mais complexa e, consequentemente, a acumulação de recursos permite com que alguns membros da “tribo” possam exercer outros trabalhos que não gerem riqueza diretamente – como a profissão de Marketing, por exemplo, que nada gera em riqueza, diretamente. Aqui nos deparamos com outro grande tópico que tange os problemas da grande cidade, e que precisaria de um momento próprio para ser dissecado e devidamente criticado, que é o fenômeno do que muitos sociólogos denotam como Capitalismo. Sim, pois foi com o acúmulo de recursos que se criou a divisão de trabalho e com a divisão de trabalho que nasce o que os marxistas chamam de alienação do trabalhador. O andar “natural” das grandes cidades, por assim dizer, gerou muitos dos problemas com os quais hoje lidamos. De fato, a maioria dos problemas que hoje temos – destruição das culturas locais, problemas na economia, estilo de vida insustentável, trends e modas degeneradas – surgem e continuam a existir por causa das grandes cidades. Até a ONU reconhece o problema de superpopulação (talvez a forma final da grande cidade), e através da Agenda 21, promete controlar o crescimento populacional do planeta, que obviamente que fazem isso da maneira errada: controlam o crescimento da população em países de primeiro mundo e estimulam, através de ajuda humanitária, o crescimento populacional de países de terceiro mundo e o efeito colateral disso é o que vemos – a Europa está sendo inundada por imigrantes de sociedades desestabilizadas. Os sentimentos por trás disso é de uma agonia extrema, pois em breve, não haverá mais comida para alimentar tantas bocas, nem tanto petróleo para manter a máquina funcionando.

Precisamos reconhecer que, assim como o nacionalismo identitário de Gaddafi é uma forma natural de organização social, o cosmopolitismo é anti-natural e, acima disso, é o fator principal dos problemas do mundo inteiro, é o que permitiu com que ideologias anti-naturais e fragmentadoras como o esquerdismo existissem. Podemos culpar um número infinito de fatores pela dissolução da organização natural dos povos, mas no fundo devemos saber que o fator que iniciou essas ideologias disfuncionais e que permite a existência de estruturas sociais disfuncionais é o da cidade grande. Esmague a Grande Cidade. Crush The Urbanite.


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