Os Sete Sacramentos do Progresso


Nota do tradutor: o seguinte artigo possui termos complexos e que envolvem temas da fé cristã. Recomendo realizar a leitura pesquisando simultaneamente os significados dos termos utilizados.

"Para retificar o relacionamento que existe entre dois humanos, não há então nenhum método, senão o término dela? A antiga relação tornou-se inadequada, obsoleta, talvez injusta; é imperativo que seja alterada; e o remédio é aboli-la, não há de agora em diante absolutamente nenhum relacionamento. Do "sacramento do matrimônio" em diante, os humanos costumavam ser interligados várias vezes, de um para o outro e de cada um para todos; e não havia relação entre seres humanos, justas ou injustas, que não tivessem suas queixas e dificuldades, suas necessidades de ambos os lados para suportar e tolerar. Mas, portanto, tendo conhecimento disso, mudamos tudo isso, graças aos Céus "o princípio voluntário" surgiu, que por sua vez será o nosso assunto; assim nos oferece um novo Sacramento, o do Divórcio, que chamamos libertação, que é a ponta da nossa plataforma, para ser universalmente a Ordem do dia! Há homens considerando para onde tudo isso tende, o que são certamente sinais suficientes?

Corte todas as relações humanas, que cresceram de alguma forma grandemente desconfortáveis, em camadas. Reduza tudo o que era obrigatório ao voluntário, tudo o que era permanente entre nós à condição efêmera: em outras palavras, cortando com laminas assíduas cada elo, todo o tecido da existência social, pedra por pedra: até que finalmente, tendo agora tudo frouxo o bastante, é possível, como já vemos na maioria dos países, a subjugação por uma repentina explosão de raiva revolucionária; e que, prostrados como meros montes de lixo anárquico, solicitai-vos a cantar Fraternidade, etc., sobre ela e regozijar-vos na nova e notável era do progresso humano a que chegamos."

- Thomas Carlyle, O Tempo Presente, em Os Folhetos dos Últimos Dias.

Carlyle está sendo imensamente sarcástico aqui, e ainda, de alguma forma também não está. É que o que ele está expressando parece ser tão ridículo que deve ser dito sarcasticamente para ser entendido, e ainda assim, é tão verdade que deve ser dito. O sacramento do divórcio!

Para alguns, isso é blasfemo, porque ele chama de "sacramento" algo que não é, mas então devemos explicar que "sacramento" é em geral um termo que os cristãos usam para descrever grandes ritos tais como Batismo, Casamento, Tonsura, e até mesmo o Funeral em si.

E aqui reside a fricção - se não reconhecemos o chamado mundo secular do "progresso" como de fato profundamente religioso em sua própria maneira, talvez devido à nossa incapacidade de dissociar o "teísmo" com a religião, ou "cultos" formais e os "templos" como lugares necessários, desviamos a atenção de um ponto crucial que Carlyle está indicando sobre a "religião" do formalmente irreligioso - particularmente, a religião daqueles que progrediram além do cristianismo ou de qualquer religião em particular.

Em alguns lugares, as pessoas se identificam como tais indiretamente - por exemplo, como "espiritual, mas não religioso" ou "humanista" e assim por diante. Há muitas variedades diferentes disto, e como é informal, não existe nenhuma organização real a que estas pessoas pertencem.

Os sacramentos são importantes para todas as religiões. Algumas religiões são intencionalmente não-sacramentais, como o exemplo extremo do Quakerismo, mas ainda há coisas que consideram sagradas (por exemplo, o fato de que eles se chamam de Os Amigos). Eles simplesmente rejeitam o sacramentalismo formalizado - um traço que eles herdam de grupos radicais de que sua prática religiosa deriva cladisticamente.

Em suma, o sacramento é o ato sagrado ou coisa sagrada - por exemplo, considere que a doutrina da Luz Interior torna um indivíduo, eventualmente, independentemente da maldade, sacramental. No entanto, precisamos de mais do que isso, considerar meramente algo sagrado, santo, elevado, mágico, temível, divino ou qualquer outra coisa são infrutíferos se esses conceitos não forem de alguma forma praticados verdadeiramente.

Portanto, devemos olhar para onde as idéias sobre o que é sagrado se cruzam com ações destinadas a realizar essa crença; onde elas são formalizadas, são mais fáceis de reconhecê-las e compreendê-las, enquanto que onde elas são informais, elas podem escapar e talvez não sejam reconhecidas por muito tempo.

Para os quakers, é óbvio que sua crença na Luz Interior é realizada em seus cultos, onde, pelo menos quando eu os estudei pela última vez, ninguém falou até que alguém foi movido pelo Espírito a falar. Este é o Sacramento da Luz Interior, e é claro que deve ter uma qualidade mágica no sentido de que confie ou espera a entrada ou a manifestação de um poder desconhecido no mundo.

Os sacramentos cristãos são muito explícitos sobre isso e uma história sobre Atanásio, quando era jovem, nos dá uma ideia da característica do sacramento e por que ele tem um caráter mágico, mesmo não sendo magia, intrinsecamente.

"Um grupo de crianças, que incluía Atanásio, estava brincando à beira-mar. As crianças cristãs decidiram batizar seus companheiros pagãos. O jovem Atanásio, que as crianças designaram como "bispo", realizou o Batismo, precisamente repetindo as palavras que ouviu na igreja durante este sacramento. O patriarca Alexandre observou tudo isso de uma janela. Ele então ordenou que os filhos e seus pais fossem trazidos a ele.

Ele conversou com eles por um longo tempo e determinou que o Batismo realizado pelas crianças foi feito de acordo com a ordem da Igreja. Ele reconheceu o batismo como real e o selou com o sacramento da crismação. A partir deste momento, o Patriarca cuidou da educação espiritual de Atanásio e, com o tempo, o levou ao clero, primeiro como leitor e depois o ordenou como diácono."

O ato propriamente dito quando feito corretamente (e observe que neste Sacramento da Luz Interna, existe de fato um rito, mesmo que seja um negativo - isto é, sentar em silêncio até que algo aconteça) causa o efeito - ou pode - dependendo de como tudo é entendido.

O que distingue um sacramento de magia em geral é que a magia como conceito não especifica que tipo de poder desconhecido é invocado; pode ser demônios, pode ser mana (poder pessoal), pode ser outros espíritos, anjos e assim por diante, até poderia ser apenas energia latente nas leis do universo que as palavras ou gestos feitos de forma correta agem como uma chave para desbloquear com um clique. Geralmente as coisas que são mágicas, mas que especificam que eles contatam ou envolvem a atividade ou a realização do divino são chamadas sacramentais. Isso inclui ritos pagãos, uma vez que eles normalmente entendiam os seus deuses como participantes ou partilhantes da divindade de alguma forma. Para alguns isso pode parecer uma distinção tola, mas como os sacramentos mostram seu significado na forma como eles são feitos (e que eles sejam de fato feitos), também observamos uma distinção final, que é a característica que chamamos de "solenidade".

Por causa da crença no contato com o divino de alguma forma, o sacramento é sempre solene. Solene é uma palavra peculiar, como parece derivar de "solus annus", que significa "uma vez por ano". Isto é, refere-se a eventos de natureza anual - que seriam ritos de estações e assim por diante - as quais estão conectadas com o divino na maioria das religiões. Esta conexão existe para judeus e pagãos; e existe para os cristãos clássicos. Assim, refere-se simplesmente ao caráter de tais ritos - uma seriedade tão grande quanto manusear códigos nucleares.

Mas nós encontramos um problema aqui. Como podemos ter sacramentos não-teístas, se o próprio sacramento é definido por sua interação com o divino? Mas já temos exemplos, ainda que em grande parte metafóricos, de "deuses" feitos de coisas que não são divindades e não apenas no sentido de estátuas (que nem todos acreditavam ser literalmente o deus), mas em dois sentidos; o primeiro na frase "Quanto a estes, o seu destino é a perdição, o seu deus é o estômago e têm orgulho do que é vergonhoso; eles só pensam nas coisas terrenas - Filipenses 3:19" e no segundo encarnado na teoria de Carl Sagan de que o próprio universo estava se tornando divino ao longo do tempo.

No primeiro, descobrimos que as coisas boas, como o prazer, a vida ou a nós mesmos, estão sendo servidas ou tratadas com a mesma reverência que o sacramento reserva para o divino. Dado que isto poderia ser uma metáfora (o que é geralmente), olhamos mais para o segundo caso, o uso do divino como uma ideia do perfeito, o estável, o imutável e assim por diante. O conceito de Sagan é claramente que o universo está sendo progressivamente aperfeiçoado até que ele terá as qualidades que as pessoas religiosas têm atribuído apenas ao próprio divino.

Constatou-se muitas vezes que no Iluminismo e no período que se seguiu, em que ainda vivemos (por agora), o objetivo do progresso foi, quando mais plenamente expresso, aproximar-se do escaton (criar um paraíso terreno). Esta é uma maneira de dizer, em termos comuns, a criação do céu na terra ou simplesmente "utopia". Alguns cristãos se envolvem nisso, mas em geral é uma empreitada humana, como construir a torre de Babel, e se possível de um certo ponto de referência tornar a divindade de Deus redundante.

Na prática, o progresso procedeu-se destruindo tradições e estruturas tradicionais, um processo que o ganhou seguidores e impulso; e o poder de libertar temporariamente forças que foram mantidas em cheque. Uma vez que seu objetivo final é, de fato, estabelecer o divino sobre a terra pelo poder humano, podemos nos perguntar: ele realmente tem sacramentos? Tem ritos para fazer com que isso aconteça?

Carlyle, no início deste ensaio, já bateu precisamente na cabeça do prego, colocou um ponto muito fino sobre ele em dizer: Sim! Identificando o primeiro sacramento do progresso.

Não que eu pense que há um número estritamente limitado, mas acho útil apresentar algo maligno, descritivamente, como mera inversão de algo bom (que tem substância real) e, portanto, apresento Sete Sacramentos do Progresso. Na verdade, é útil apresentar um número limitado em qualquer caso, uma vez que obriga destacar os casos mais importantes e proeminentes, bem como grupos similares de casos distintos que por fim são a mesma coisa.

Divórcio

Como sugere Carlyle, o primeiro sacramento do Progresso é o divórcio. É o sacramento da libertação dos laços, da inconveniência, da responsabilidade e de tudo o que restringe a vontade por natureza.

Aborto

O segundo sacramento do Progresso é o aborto. É o sacramento de auto-propriedade; da libertação do homem do ciclo de reencarnação chamado "reprodução" em um Shangri-La - paraíso - do prazer sexual.

Sodomia

Alguns acharão estranho que a sodomia, e não a fornicação, esteja aqui, mas a sodomia é a favorita dos progressistas por causa de sua qualidade antinatural. Mais do que isso, é o sexo assexual (não depende da sexualidade dos parceiros para funcionar). É o sacramento da igualdade e do amor separado do vínculo que produz uma nova vida

Rebelião

A rebelião está para o divórcio, assim como batismo está para a crisma (ou confirmação). É o sacramento anti-hierárquico ou nivelador, o sacramento de resistir a qualquer poder, exceto o próprio. Juntamente com o aborto, esta é uma das duas formas de "latria" (culto) dado a seus deuses, pois muitas vezes envolve sacrifício de sangue ("a árvore da liberdade é regada com o sangue dos patriotas", como se costuma dizer).

Blasfêmia

A blasfêmia é o sacramento da dúvida. É a ideia de que nada é sagrado, porém violando o que é sagrado (que é o que todos os sacramentos do Progresso promovem: desvendar o esconderijo da divindade oculta que a Tradição estava escondendo, através da destruição.) É o sacramento da infração intencional, Na arte e nas letras indecentes, que procuram destravar a magia escondida contida acima nos tabus.

Inversão

A inversão é o sacramento de estar de cabeça para baixo. Começa com a ideia de que algo só é provado verdadeiro pelo seu oposto, de subversão das normas, de casais estranhos e combinações improváveis. Seu pensamento central é desvendar a magia escondida nas combinações que não foram experimentadas, seja por causa da religião ou tabu (o que poderia fazer da inversão também uma blasfêmia!); ou por causa da natureza e do bom senso. A ordenação sacerdotal de mulheres [1][2][3] é a forma atual e mais proeminente de inversão venerada.

Autoestima

Autoestima é o sacramento de sentir-se bem. É a iniciação dentro das ordens do narcisismo em que alguém é motivado a agir menos centrado em si mesmo, apenas para o propósito de si mesmo - ou seja, agir pelos outros somente em busca de recompensas. É o sacramento mais comum, partilhado por todos os progressistas, uma vez que são passivamente supridos através da TV ou realizado através de compras ou moda, agora é ativamente compartilhado na internet em algo chamado "Mídia Social" - suas indulgências são Curtidas, que como todos os sacramentos progressistas, fazem grande uso invertido e blasfemo do coração.

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Uma vez que você tenha identificado esses atos sacramentais, você perceberá sua omnipresença, principalmente na mídia, na educação e no governo. Todos os seus rituais tentam liberar esse estoque escondido de energia que o tabu, a norma, a tradição e tudo o que é sensível estão reservando, para forçar o divino a se manifestar de uma vez por todas.

Original: http://www.socialmatter.net/2016/11/01/seven-sacraments-progress/


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